O projecto

Em destaque

As recentes tendências negativas na procura de ensino superior e o excesso de capacidade instalada neste sub-sistema de ensino dão lugar a uma questão central apresentada pela OCDE (2006, p.99), no relatório sobre o Ensino Superior em Portugal: is there a need to downsize or consolidate the institutional landscape? Ainda que a resposta a esta questão seja, essencialmente, de natureza política, deverá ser apoiada em estudos científicos, uma vez que pressupõe a existência de um conjunto de cenários e escolhas diferenciadas, quer no domínio da governance, quer no da regulação.

Em primeiro lugar, é fundamental perceber os efeitos da evolução demográfica bem como dos respectivos impactes quer no número de estudantes universitários, quer na sua dispersão territorial. O declínio das taxas de fecundidade e o consequente envelhecimento populacional podem, potencialmente, criar um excesso de capacidade instalada em diversas instituições de ensino superior (IES). Contudo, os decisores políticos não devem atender de forma exclusiva aos efeitos que a demografia exerce sobre a procura de ensino superior. A população portuguesa regista baixos níveis médios de educação, e é inequívoca a inter-relação entre os níveis médios de educação e as taxas de crescimento económico. A convergência do nosso país em relação aos níveis médios de educação e desenvolvimento da União Europeia, bem como da OCDE, pressupõe um rápido aumento na taxa de participação no ensino superior. O excesso de capacidade, que pode existir nas IES decorrente da diminuição do número de jovens na população, poderá vir a ser ocupado pelos estudantes mais velhos ou por Trabalhadores-estudantes.

O segundo desafio diz respeito à distribuição geográfica das IES. Por um lado, a oferta tende a localizar-se junto da procura. Projecções das Nações Unidas mostram que em 2015 apenas uma pequena parte da população portuguesa poderá viver fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Se considerarmos apenas a eficiência financeira, afirmaremos que a rede de IES deverá ser aí concentrada. Num país relativamente pequeno, os jovens oriundos do interior poderão realizar a formação terciária nas instituições localizadas no litoral e, uma vez concluídos os cursos, regressar às suas origens. Por outro lado os decisores públicos podem entender considerar os efeitos de uma distribuição das IES mais desequilibrada. A concentração de IES pode constituir um entrave ao acesso ao ensino superior por parte dos jovens oriundos de famílias com níveis de rendimento mais baixos, bem como por parte de trabalhadores estudantes e de estudantes mais velhos. Além disso, são muito significativos os impactes de natureza económica e social que as universidades produzem nas cidades de pequena e media dimensão, particularmente por via do aumento de diplomados. A existência de inter-ligações entre a dispersão geográfica de IES e a melhoria do nível de desenvolvimento territorial equilibrado deve ser analisado cuidadosamente.
Para dar resposta a estes desafios, e contribuir para uma tomada de decisão política mais fundamentada, este projecto visa dar resposta às seguintes questões:
1) Quais os efeitos, na procura de ensino superior, no curto e no longo prazos, decorrentes da evolução demográfica, aos níveis nacional e regional? Este estudo irá utilizar os resultados obtidos num projecto anterior (em curso) que visa determinar a evolução da estrutura da população portuguesa (PTDC/SDE/68126/2006), utilizando a mesma metodologia, com o objectivo de estimar regionalmente as tendências demográficas no que respeita à subpopulação de potenciais candidatos ao ensino superior.
2) Quais as variáveis, para além da demografia que podem influenciar a procura de ensino superior? Dados recentes mostram que a taxa de crescimento da procura de ensino superior não tem coincidido, em absoluto, com o ritmo de evolução dos jovens em idade de entrar na universidade. Esta verificação sugere que outros factores, nomeadamente de natureza socioeconómica, deverão ser considerados na análise da procura de ensino superior: por exemplo, o rendimento e os níveis de educação da família de origem, as taxas de retenção nos anteriores graus de ensino, o valor das propinas, o apoio da Acção Social bem como os prémios salariais.

Ainda podemos procurar verificar se esta procura reflecte a alteração das políticas de ensino superior ou a introdução do chamado Processo de Bolonha.
3) Como é que a distribuição regional de IES influencia o número e a distribuição de candidatos ao ensino superior? Para responder a esta questão, analisaremos os dados de um inquérito nacional aplicado aos estudantes do ensino superior no momento da respectiva inscrição.
Em suma, este projecto visa contribuir para a identificação de cenários relativos à dimensão óptima e a distribuição da rede de IES em Portugal, assumindo, em simultâneo, a consideração de dois objectivos: as pressões com vista a uma utilização eficiente de recursos públicos e a necessidade de melhorar o crescimento económico e a coesão territorial.

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As recentes tendências negativas na procura de ensino superior e o excesso de capacidade instalada neste sub-sistema de ensino dão lugar a uma questão central apresentada pela OCDE (2006, p.99), no relatório sobre o Ensino Superior em Portugal: is there a need to downsize or consolidate the institutional landscape? Ainda que a resposta a esta questão seja, essencialmente, de natureza política, deverá ser apoiada em estudos científicos, uma vez que pressupõe a existência de um conjunto de cenários e escolhas diferenciadas, quer no domínio da governance, quer no da regulação.

Em primeiro lugar, é fundamental perceber os efeitos da evolução demográfica bem como dos respectivos impactes quer no número de estudantes universitários, quer na sua dispersão territorial. O declínio das taxas de fecundidade e o consequente envelhecimento populacional podem, potencialmente, criar um excesso de capacidade instalada em diversas instituições de ensino superior (IES). Contudo, os decisores políticos não devem atender de forma exclusiva aos efeitos que a demografia exerce sobre a procura de ensino superior. A população portuguesa regista baixos níveis médios de educação, e é inequívoca a inter-relação entre os níveis médios de educação e as taxas de crescimento económico. A convergência do nosso país em relação aos níveis médios de educação e desenvolvimento da União Europeia, bem como da OCDE, pressupõe um rápido aumento na taxa de participação no ensino superior. O excesso de capacidade, que pode existir nas IES decorrente da diminuição do número de jovens na população, poderá vir a ser ocupado pelos estudantes mais velhos ou por Trabalhadores-estudantes.

O segundo desafio diz respeito à distribuição geográfica das IES. Por um lado, a oferta tende a localizar-se junto da procura. Projecções das Nações Unidas mostram que em 2015 apenas uma pequena parte da população portuguesa poderá viver fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Se considerarmos apenas a eficiência financeira, afirmaremos que a rede de IES deverá ser aí concentrada. Num país relativamente pequeno, os jovens oriundos do interior poderão realizar a formação terciária nas instituições localizadas no litoral e, uma vez concluídos os cursos, regressar às suas origens. Por outro lado os decisores públicos podem entender considerar os efeitos de uma distribuição das IES mais desequilibrada. A concentração de IES pode constituir um entrave ao acesso ao ensino superior por parte dos jovens oriundos de famílias com níveis de rendimento mais baixos, bem como por parte de trabalhadores estudantes e de estudantes mais velhos. Além disso, são muito significativos os impactes de natureza económica e social que as universidades produzem nas cidades de pequena e media dimensão, particularmente por via do aumento de diplomados. A existência de inter-ligações entre a dispersão geográfica de IES e a melhoria do nível de desenvolvimento territorial equilibrado deve ser analisado cuidadosamente.
Para dar resposta a estes desafios, e contribuir para uma tomada de decisão política mais fundamentada, este projecto visa dar resposta às seguintes questões:
1) Quais os efeitos, na procura de ensino superior, no curto e no longo prazos, decorrentes da evolução demográfica, aos níveis nacional e regional? Este estudo irá utilizar os resultados obtidos num projecto anterior (em curso) que visa determinar a evolução da estrutura da população portuguesa (PTDC/SDE/68126/2006), utilizando a mesma metodologia, com o objectivo de estimar regionalmente as tendências demográficas no que respeita à subpopulação de potenciais candidatos ao ensino superior.
2) Quais as variáveis, para além da demografia que podem influenciar a procura de ensino superior? Dados recentes mostram que a taxa de crescimento da procura de ensino superior não tem coincidido, em absoluto, com o ritmo de evolução dos jovens em idade de entrar na universidade. Esta verificação sugere que outros factores, nomeadamente de natureza socioeconómica, deverão ser considerados na análise da procura de ensino superior: por exemplo, o rendimento e os níveis de educação da família de origem, as taxas de retenção nos anteriores graus de ensino, o valor das propinas, o apoio da Acção Social bem como os prémios salariais.

Ainda podemos procurar verificar se esta procura reflecte a alteração das políticas de ensino superior ou a introdução do chamado Processo de Bolonha.
3) Como é que a distribuição regional de IES influencia o número e a distribuição de candidatos ao ensino superior? Para responder a esta questão, analisaremos os dados de um inquérito nacional aplicado aos estudantes do ensino superior no momento da respectiva inscrição.
Em suma, este projecto visa contribuir para a identificação de cenários relativos à dimensão óptima e a distribuição da rede de IES em Portugal, assumindo, em simultâneo, a consideração de dois objectivos: as pressões com vista a uma utilização eficiente de recursos públicos e a necessidade de melhorar o crescimento económico e a coesão territorial.

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